Religião é Veneno
Crença dos foristas: do crentão ao ateuzinho metaleiro virgem
Autor: Federosvsky | Categoria: Ateísmo e Agnosticismo | Exibições: 5317 Comentários: 413
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Minha maior preocupação não é se o Cristianismo irá acabar, mas o que o substituiria.

Os malditos Socialismo ou Islamismo?

Nesse caso sou cristã fervorosa desde criancinha.


‍Por mais utilitarista que isso seja, se alguém não acredita em Deus com sinceridade é a opção mais defensável de todas.

E isso se pensarmos nos dias atuais com o estado moderno e a tal democracia tendo dado no que deu.

Ser ocidental na idade média era a mesma coisa que ser cristão.
Não ser cristão não me parece que era algo com o que se devesse preocupar por conta de problemas bem maiores tais como islâmicos estupradores e cortadores de cabeça vindo com tudo pra cima de você.

Não mudou muito se pararmos pra pensar no que o ocidente já se transformou por conta desta aliança de grana globalista e estratégia comunista juntos contra nós.

Tal como na idade média e dadas as circunstancias atuais a última coisa com a qual me preocupo é se alguém vai me chamar de católico reacionário por eu defender o cristianismo nesta guerra contra a nossa liberdade.

É na sociedade cristã que você pode se declarar ateu.
Era aqui no Brasil cristão que até 5 minutos atrás se podia criticar o governo seja ele qual fosse. Se não é mais assim a culpa não é do cristianismo mas da falta dele.

Sem o cristianismo não existe defesa contra o globalismo dinheirista.
Sem autoridade moral que esteja acima do dinheirismo não há argumento pra apresentar pra uma jovem do Only Fans que a convença de que ganhar dinheiro como prostituta seja pior do que estudar e manter a dignidade.

Não há substituto imediato mais eficiente que a religião pra difundir moralidade, mesmo com todos os defeitos que as religiões venham a ter.
Não fosse assim os próprios revolucionários não teriam se infiltrado nas religiões pra acabar com a credibilidade moral delas.

E vejam, não estou dizendo que não se possa jamais substituir a religião como fonte de moralidade, embora eu ache que isso seja verdade.
O que me parece lógico é que mesmo que houvesse como elaborar algo pra colocar no lugar não haveria tempo hábil pra colocar em prática antes do ponto de não retorno da implantação de uma "humanidade de granja" imposta pela aliança do Globalismo+comunismo contra o ocidente.
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Na minha opinião o Cristianismo falha miseravelmente enquanto intérprete da realidade, não há o mais remoto indício de que estamos em um grande drama cósmico de pecado e redenção em uma disputa do Bem e do Mal pela alma humana.
O que então seria indício remoto ou não de um grande drama cósmico de pecado e redenção em uma disputa do Bem e do Mal pela alma humana?

Uma divindade com ação mais presente na História, como abrindo mares por exemplo, mas não como um artigo de fé e sim como um fato histórico.

Uma demonstração mais clara da relevância humana cosmicamente falando, algo que fizesse sentido para entidades eternas disputarem seus interesses, nas dimensões que entendemos atualmente os humanos estariam para Deus e o Diabo como bactérias estariam para nós e isso ainda assim seria uma pálida analogia.

Entenda que eu não acredito que divindades existam, mas ainda que existissem não acho que elas teriam qualquer obrigação com a nossa existência ou interesse com a nossa condição. No entanto esse é exatamente o cerne das crenças das religiões abraâmicas, o criador todo poderoso do cosmos teria criado a humanidade a sua imagem e semelhança, a amaria e se importaria com o destino (eterno ou não) de todos.

Não é culpa das pessoas céticas que todos os eventos que conhecemos, astronômicos, geológicos, antropológicos, etc... contrariam essa visão em absoluto.
‍
O problema aqui parece ser o seguinte.

Nós dois temos uma idéia razoavelmente parecida do que é um Kraken. Grosso modo o kraken é uma lula mitológica que pesa mil toneladas e consegue engolir embarcações inteiras.

E nós dois entendemos o sentido específico implícito na frase "Krakens não existem" de uma forma razoavelmente parecida - ela simplesmente quer dizer que de todos os animais conhecidos vivos ou extintos nenhum parece corresponder a descrição.

Mas também está implícito aqui que nós dois entendemos que Krakens existem num sentido diferente - enquanto personagens bem definidos de lendas, ou enquanto símbolos ou metáforas em outros contextos.

A frase "Krakens não existem" só é verdadeira na medida em que se subentende que estamos nos referindo a uma forma possível de se conceber a idéia de Kraken, enquanto indivíduo ou espécie de animal real, i.e. como um dos vários organismos biológicos que habitam as profundezas do oceano e que poderíamos em princípio capturar numa rede pesca ou fotografar com um submarino.

Tudo isso é perfeitamente claro no caso do kraken. Mas no caso de um conceito mais importante como Deus as pessoas se confundem.

A forma que você concebe o termo Deus e parece corresponder a algum humanoide com um aspecto físico e tamanho gigante (que está para homem assim como estamos para a bactéria) e que volta e meia se mete com assuntos humanos. E você rejeita essa idéia, porque de fato não há qualquer evidência disso (e.g. o telescópio Webb não parece ter encontrado nenhum chinelo gigante perdido ou algo que pudesse acusar a presença desse ser)

Quando você fala "Deus não existe" você está simplesmente dizendo que você não acredita que existe algo físico que pode ser inspecionado diretamente com nossos sentidos ou instrumentos físicos que corresponda a descrição de um humanoide gigante que mora em alguma nuvem no céu e que volta e meio desce na terra para abrir o Mar Vermelho ou destruir um par de cidades.

Mas, representações artísticas e simbolismos a parte, ninguém que acredita em Deus o concebe dessa forma. Talvez crianças muito pequenas podem até começar a pensar em Deus dessa forma, pelo menos até desenvolverem uma idéia mais madura, mas adultos não pensam assim (a não ser de forma metafórica). Duvido que os pagãos da Grécia ou de Roma acreditassem nos deuses deles dessa forma - mas confesso que é difícil saber nesse caso.

Mas com certeza, se você consultar pessoas adultas, mesmo as mais simples, você vai ver que elas não concordariam com uma descrição desse tipo. Todas elas entendem que Deus de forma muito mais abstrata, que em particular é algo invisível, imaterial (além de onipresente, onipotente etc.). Ninguém que fala que "Deus existe" espera que ele exista de modo a ser notado apontando um telescópio para o espaço e encontrando uma dentadura dentro de um copo d'agua cósmico ou algo que o valha.

Ou seja, a sua afirmação "Deus não existe" acaba sendo uma banalização do conceito de existir, aonde é implícito que coisas existem apenas quando existem na forma de um objeto animado ou inanimado com aspecto físico e inspecionável através dos cinco sentidos ou instrumentos.

Nesse mesmo sentido, podemos falar que números não existem. Que triângulos e icosaedros não existem. Que idiomas não existem. Ou até que países, raças, povos, espécies de animais e plantas, ou qualquer outro conceito abstrato que não seja nome de um objeto individual específico. Até a própria idéia de objeto individual específico, como algo que podemos isolar e dar um nome, parece não existir. Nada no final existe.

Esse problema ocorre porque você não entendeu que a frase "Krakens não existem" é na verdade um abuso de linguagem. A frase completa (e pedante) é "Krakens não existem enquanto animais marinhos reais vivos ou extintos, mas existem de outras formas". E isso é verdade para qualquer coisa que não é um animal marinho vivo ou extinto, mas é uma coisa de outro tipo.

Uma vez que você entende o problema linguístico, todas essas questões aí se resolvem.

Você eventualmente percebe que o ateísmo nasce da necessidade de afirmar para si mesmo e todo mundo que uma idéia obviamente idiota é de fato obviamente idiota, e ignorar os protestos das pessoas que usam o mesmo nome da sua idéia idiota para uma idéia que não é idiota.

Talvez nossas experiências sejam muito divergentes, mas a minha impressão é que seu contato com religiosos foi bastante acadêmico e o meu foi bem mais prático, quase toda a minha família e amigos são evangélicos.

A impressão que eu tenho das pessoas mais próximas quando essas pediam curas milagrosas e bençãos era de que elas tinham uma crença em um deus pessoal bem mais próxima das minhas descrições e do literalismo religioso do que essa mais filosófica e abrangente que você sugere.
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O que então seria indício remoto ou não de um grande drama cósmico de pecado e redenção em uma disputa do Bem e do Mal pela alma humana?

Uma divindade com ação mais presente na História, como abrindo mares por exemplo, mas não como um artigo de fé e sim como um fato histórico.

Uma demonstração mais clara da relevância humana cosmicamente falando, algo que fizesse sentido para entidades eternas disputarem seus interesses, nas dimensões que entendemos atualmente os humanos estariam para Deus e o Diabo como bactérias estariam para nós e isso ainda assim seria uma pálida analogia.

Entenda que eu não acredito que divindades existam, mas ainda que existissem não acho que elas teriam qualquer obrigação com a nossa existência ou interesse com a nossa condição. No entanto esse é exatamente o cerne das crenças das religiões abraâmicas, o criador todo poderoso do cosmos teria criado a humanidade a sua imagem e semelhança, a amaria e se importaria com o destino (eterno ou não) de todos.

Não é culpa das pessoas céticas que todos os eventos que conhecemos, astronômicos, geológicos, antropológicos, etc... contrariam essa visão em absoluto.
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O problema aqui parece ser o seguinte.

Nós dois temos uma idéia razoavelmente parecida do que é um Kraken. Grosso modo o kraken é uma lula mitológica que pesa mil toneladas e consegue engolir embarcações inteiras.

E nós dois entendemos o sentido específico implícito na frase "Krakens não existem" de uma forma razoavelmente parecida - ela simplesmente quer dizer que de todos os animais conhecidos vivos ou extintos nenhum parece corresponder a descrição.

Mas também está implícito aqui que nós dois entendemos que Krakens existem num sentido diferente - enquanto personagens bem definidos de lendas, ou enquanto símbolos ou metáforas em outros contextos.

A frase "Krakens não existem" só é verdadeira na medida em que se subentende que estamos nos referindo a uma forma possível de se conceber a idéia de Kraken, enquanto indivíduo ou espécie de animal real, i.e. como um dos vários organismos biológicos que habitam as profundezas do oceano e que poderíamos em princípio capturar numa rede pesca ou fotografar com um submarino.

Tudo isso é perfeitamente claro no caso do kraken. Mas no caso de um conceito mais importante como Deus as pessoas se confundem.

A forma que você concebe o termo Deus e parece corresponder a algum humanoide com um aspecto físico e tamanho gigante (que está para homem assim como estamos para a bactéria) e que volta e meia se mete com assuntos humanos. E você rejeita essa idéia, porque de fato não há qualquer evidência disso (e.g. o telescópio Webb não parece ter encontrado nenhum chinelo gigante perdido ou algo que pudesse acusar a presença desse ser)

Quando você fala "Deus não existe" você está simplesmente dizendo que você não acredita que existe algo físico que pode ser inspecionado diretamente com nossos sentidos ou instrumentos físicos que corresponda a descrição de um humanoide gigante que mora em alguma nuvem no céu e que volta e meio desce na terra para abrir o Mar Vermelho ou destruir um par de cidades.

Mas, representações artísticas e simbolismos a parte, ninguém que acredita em Deus o concebe dessa forma. Talvez crianças muito pequenas podem até começar a pensar em Deus dessa forma, pelo menos até desenvolverem uma idéia mais madura, mas adultos não pensam assim (a não ser de forma metafórica). Duvido que os pagãos da Grécia ou de Roma acreditassem nos deuses deles dessa forma - mas confesso que é difícil saber nesse caso.

Mas com certeza, se você consultar pessoas adultas, mesmo as mais simples, você vai ver que elas não concordariam com uma descrição desse tipo. Todas elas entendem que Deus de forma muito mais abstrata, que em particular é algo invisível, imaterial (além de onipresente, onipotente etc.). Ninguém que fala que "Deus existe" espera que ele exista de modo a ser notado apontando um telescópio para o espaço e encontrando uma dentadura dentro de um copo d'agua cósmico ou algo que o valha.

Ou seja, a sua afirmação "Deus não existe" acaba sendo uma banalização do conceito de existir, aonde é implícito que coisas existem apenas quando existem na forma de um objeto animado ou inanimado com aspecto físico e inspecionável através dos cinco sentidos ou instrumentos.

Nesse mesmo sentido, podemos falar que números não existem. Que triângulos e icosaedros não existem. Que idiomas não existem. Ou até que países, raças, povos, espécies de animais e plantas, ou qualquer outro conceito abstrato que não seja nome de um objeto individual específico. Até a própria idéia de objeto individual específico, como algo que podemos isolar e dar um nome, parece não existir. Nada no final existe.

Esse problema ocorre porque você não entendeu que a frase "Krakens não existem" é na verdade um abuso de linguagem. A frase completa (e pedante) é "Krakens não existem enquanto animais marinhos reais vivos ou extintos, mas existem de outras formas". E isso é verdade para qualquer coisa que não é um animal marinho vivo ou extinto, mas é uma coisa de outro tipo.

Uma vez que você entende o problema linguístico, todas essas questões aí se resolvem.

Você eventualmente percebe que o ateísmo nasce da necessidade de afirmar para si mesmo e todo mundo que uma idéia obviamente idiota é de fato obviamente idiota, e ignorar os protestos das pessoas que usam o mesmo nome da sua idéia idiota para uma idéia que não é idiota.

Talvez nossas experiências sejam muito divergentes, mas a minha impressão é que seu contato com religiosos foi bastante acadêmico e o meu foi bem mais prático, praticamente toda a minha família e amigos são evangélicos.

A impressão que eu tenho das pessoas mais próximas quando essas pediam curas milagrosas e bençãos era de que elas tinham uma crença em um deus pessoal bem mais próxima das minhas descrições e do literalismo religioso do que essa mais filosófica e abrangente que você sugere.
‍

‍Essa era a minha impressão também. Por bastante tempo. Mas essa impressão é uma arrogância de quem se assume mais inteligente e portanto plenamente capaz de compreender um ponto de vista que não é o seu a partir de fragmentos observáveis de como as pessoas com aquele ponto de vista falam ou fazem.

Mas nem todo mundo pensa como a gente, muito menos pensa dentro de acordo com o modelo imbecilizado de NPC que empregamos para simular como os outros que pensam diferente de nós de fato pensam.

Mas vale testar a hipótese. Pergunte para alguns deles se eles acreditam se eles concebem que o Deus vivo dele como:

(a) Um objeto físico bem definido e visível no formato de humanoide mas tipo um gênio do Aladin dotado de poderes mágicos e celestiais

(b) Energia vital, inteligência absoluta do cosmos, algo imaterial, invisível, transcendente, que está em todo lugar, em tudo que acontece etc, e que pode se revelar quando necessário na forma de um arbusto em chamas, homem comum, ou o que que Ele quiser, dado que ele é onipotente.

Pode ser que eles não vejam nenhuma das opções acima como muito adequada, mas é quase certo que arma na cabeça eles iriam optar pela descrição (b) como sendo mais próxima da idéia deles. Pelo menos todo mundo que tiver uma idade física ou mental acima de 12 anos.

A idéia de Deus pessoal como sendo algo como (a) é equivocada. A idéia de Deus pessoal é apenas uma forma de expressar a idéia de que faz sentido entender Deus como uma pessoa, em termos de vontade, objetivo, alinhamento moral, e não como uma energia essencialmente amoral que anima sistemas mecânicos, tipo o Deus de Spinoza.
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Uma demonstração mais clara da relevância humana cosmicamente falando, algo que fizesse sentido para entidades eternas disputarem seus interesses, nas dimensões que entendemos atualmente os humanos estariam para Deus e o Diabo como bactérias estariam para nós e isso ainda assim seria uma pálida analogia.

Entenda que eu não acredito que divindades existam, mas ainda que existissem não acho que elas teriam qualquer obrigação com a nossa existência ou interesse com a nossa condição. No entanto esse é exatamente o cerne das crenças das religiões abraâmicas, o criador todo poderoso do cosmos teria criado a humanidade a sua imagem e semelhança, a amaria e se importaria com o destino (eterno ou não) de todos.

Não é culpa das pessoas céticas que todos os eventos que conhecemos, astronômicos, geológicos, antropológicos, etc... contrariam essa visão em absoluto.
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Nós dois temos uma idéia razoavelmente parecida do que é um Kraken. Grosso modo o kraken é uma lula mitológica que pesa mil toneladas e consegue engolir embarcações inteiras.

E nós dois entendemos o sentido específico implícito na frase "Krakens não existem" de uma forma razoavelmente parecida - ela simplesmente quer dizer que de todos os animais conhecidos vivos ou extintos nenhum parece corresponder a descrição.

Mas também está implícito aqui que nós dois entendemos que Krakens existem num sentido diferente - enquanto personagens bem definidos de lendas, ou enquanto símbolos ou metáforas em outros contextos.

A frase "Krakens não existem" só é verdadeira na medida em que se subentende que estamos nos referindo a uma forma possível de se conceber a idéia de Kraken, enquanto indivíduo ou espécie de animal real, i.e. como um dos vários organismos biológicos que habitam as profundezas do oceano e que poderíamos em princípio capturar numa rede pesca ou fotografar com um submarino.

Tudo isso é perfeitamente claro no caso do kraken. Mas no caso de um conceito mais importante como Deus as pessoas se confundem.

A forma que você concebe o termo Deus e parece corresponder a algum humanoide com um aspecto físico e tamanho gigante (que está para homem assim como estamos para a bactéria) e que volta e meia se mete com assuntos humanos. E você rejeita essa idéia, porque de fato não há qualquer evidência disso (e.g. o telescópio Webb não parece ter encontrado nenhum chinelo gigante perdido ou algo que pudesse acusar a presença desse ser)

Quando você fala "Deus não existe" você está simplesmente dizendo que você não acredita que existe algo físico que pode ser inspecionado diretamente com nossos sentidos ou instrumentos físicos que corresponda a descrição de um humanoide gigante que mora em alguma nuvem no céu e que volta e meio desce na terra para abrir o Mar Vermelho ou destruir um par de cidades.

Mas, representações artísticas e simbolismos a parte, ninguém que acredita em Deus o concebe dessa forma. Talvez crianças muito pequenas podem até começar a pensar em Deus dessa forma, pelo menos até desenvolverem uma idéia mais madura, mas adultos não pensam assim (a não ser de forma metafórica). Duvido que os pagãos da Grécia ou de Roma acreditassem nos deuses deles dessa forma - mas confesso que é difícil saber nesse caso.

Mas com certeza, se você consultar pessoas adultas, mesmo as mais simples, você vai ver que elas não concordariam com uma descrição desse tipo. Todas elas entendem que Deus de forma muito mais abstrata, que em particular é algo invisível, imaterial (além de onipresente, onipotente etc.). Ninguém que fala que "Deus existe" espera que ele exista de modo a ser notado apontando um telescópio para o espaço e encontrando uma dentadura dentro de um copo d'agua cósmico ou algo que o valha.

Ou seja, a sua afirmação "Deus não existe" acaba sendo uma banalização do conceito de existir, aonde é implícito que coisas existem apenas quando existem na forma de um objeto animado ou inanimado com aspecto físico e inspecionável através dos cinco sentidos ou instrumentos.

Nesse mesmo sentido, podemos falar que números não existem. Que triângulos e icosaedros não existem. Que idiomas não existem. Ou até que países, raças, povos, espécies de animais e plantas, ou qualquer outro conceito abstrato que não seja nome de um objeto individual específico. Até a própria idéia de objeto individual específico, como algo que podemos isolar e dar um nome, parece não existir. Nada no final existe.

Esse problema ocorre porque você não entendeu que a frase "Krakens não existem" é na verdade um abuso de linguagem. A frase completa (e pedante) é "Krakens não existem enquanto animais marinhos reais vivos ou extintos, mas existem de outras formas". E isso é verdade para qualquer coisa que não é um animal marinho vivo ou extinto, mas é uma coisa de outro tipo.

Uma vez que você entende o problema linguístico, todas essas questões aí se resolvem.

Você eventualmente percebe que o ateísmo nasce da necessidade de afirmar para si mesmo e todo mundo que uma idéia obviamente idiota é de fato obviamente idiota, e ignorar os protestos das pessoas que usam o mesmo nome da sua idéia idiota para uma idéia que não é idiota.

Talvez nossas experiências sejam muito divergentes, mas a minha impressão é que seu contato com religiosos foi bastante acadêmico e o meu foi bem mais prático, praticamente toda a minha família e amigos são evangélicos.

A impressão que eu tenho das pessoas mais próximas quando essas pediam curas milagrosas e bençãos era de que elas tinham uma crença em um deus pessoal bem mais próxima das minhas descrições e do literalismo religioso do que essa mais filosófica e abrangente que você sugere.
‍

‍Essa era a minha impressão também. Por bastante tempo. Mas essa impressão é uma arrogância de quem se assume mais inteligente e portanto plenamente capaz de compreender um ponto de vista que não é o seu a partir de fragmentos observáveis de como as pessoas com aquele ponto de vista falam ou fazem.

Mas nem todo mundo pensa como a gente, muito menos pensa dentro de acordo com o modelo imbecilizado de NPC que empregamos para simular como os outros que pensam diferente de nós de fato pensam.

Mas vale testar a hipótese. Pergunte para alguns deles se eles acreditam se eles concebem que o Deus vivo dele como:

(a) Um objeto físico bem definido e visível no formato de humanoide mas tipo um gênio do Aladin dotado de poderes mágicos e celestiais

(b) Energia vital, inteligência absoluta do cosmos, algo imaterial, invisível, transcendente, que está em todo lugar, em tudo que acontece etc, e que pode se revelar quando necessário na forma de um arbusto em chamas, homem comum, ou o que que Ele quiser, dado que ele é onipotente.

Pode ser que eles não vejam nenhuma das opções acima como muito adequada, mas é quase certo que arma na cabeça eles iriam optar pela descrição (b) como sendo mais próxima da idéia deles. Pelo menos todo mundo que tiver uma idade física ou mental acima de 12 anos.

A idéia de Deus pessoal como sendo algo como (a) é equivocada. A idéia de Deus pessoal é apenas uma forma de expressar a idéia de que faz sentido entender Deus como uma pessoa, em termos de vontade, objetivo, alinhamento moral, e não como uma energia essencialmente amoral que anima sistemas mecânicos, tipo o Deus de Spinoza.

Definitivamente opção A, principalmente pela parte da minha cunhada que acredita em possessões demoníacas e exorcismos pentecostais.

E sim, julgando pela frequência das orações e pedidos, a visão pessoal de Deus deles está mais próxima do gênio da lâmpada do que qualquer outra coisa.

Como eu disse antes, talvez seja a minha perspectiva que esteja enviesada por causa das minhas experiências pessoais, mas acho muito difícil a sua visão dos religiosos mais filosoficamente defensáveis corresponda a maioria, tomara que sim, mas não acho que seja o caso.
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Ótimo!

Então agora você pode testar o quão enviezada é essa sua perspectiva. Basta você fazer essa pergunta que eu coloquei, com as alternativas que eu coloquei, e ver se ela de fato escolhe alternativa (a).

Se ela escolher alternativa (a), pode ser que eu esteja de fato mais enviezado por ter me deparado com um grupo mais seleto de cristãos.

Se ela escolher a alternativa (b), você descobre que não só a sua visão dos cristãos de um modo geral é enviezada, como a sua própria compreensão da maturidade e sofisticação da crença dos seus familiares é enviezada. E o viés será completamente produto da idiotização que você construiu deles.

Vai lá testa e me conta - temos uma hipótese científica agora.

Não estou brincando - eu acho bem importante para você fazer esse teste. E por mais simples que seja em princípio, talvez se torne difícil psicologicamente para você testar essa hipótese e (possivelmente) descobrir que existem problemas fundamentais no conceito de realidade que você formou.
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Ótimo!

Então agora você pode testar o quão enviezada é essa sua perspectiva. Basta você fazer essa pergunta que eu coloquei, com as alternativas que eu coloquei, e ver se ela de fato escolhe alternativa (a).

Se ela escolher alternativa (a), pode ser que eu esteja de fato mais enviezado por ter me deparado com um grupo mais seleto de cristãos.

Se ela escolher a alternativa (b), você descobre que não só a sua visão dos cristãos de um modo geral é enviezada, como a sua própria compreensão da maturidade e sofisticação da crença dos seus familiares é enviezada. E o viés será completamente produto da idiotização que você construiu deles.

Vai lá testa e me conta - temos uma hipótese científica agora.

Não estou brincando - eu acho bem importante para você fazer esse teste. E por mais simples que seja em princípio, talvez se torne difícil psicologicamente para você testar essa hipótese e (possivelmente) descobrir que existem problemas fundamentais no conceito de realidade que você formou.

Tenho vários problemas com a sua metodologia antes de qualquer teste prático.

Perguntar para uma crente se ela acredita que Deus é como o gênio da lâmpada, mesmo que isso pareça óbvio para observadores externos, seria o mesmo que perguntar para uma recém-formada de humanas com a camiseta do PT/PSOL se ela acredita que foi doutrinada e sofreu lavagem cerebral pela esquerda, é claro que irá negar.

Não estou dizendo que não seria possível um teste desses, mas as questões precisam ser bem mais elaboradas do que as que você postou, de forma a não induzir a direção para qualquer um dos lados.
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Sim tem razão. Se quiser alterar para algo mais ameno, mas com a mesma idéia, fique a vontade.

O ponto aqui não é criar uma pegadinha para você, eu acho que se você tentar pensar na forma mais séria que você puder o que seria uma opção (a) mais adequada para a sua tia do que a opção (b), podemos usar isso.

O que é importante aqui é que a distinção do conceito da opção (a) e (b) seja a de que na opção (a) Deus é um objeto ou fenômeno de caráter físico distinto, localizável e isolável, e que portanto poderia ser discernível por evidência empírica e na opção (b) Deus é uma entidade cujo caráter é mais sublime
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Sim tem razão. Se quiser alterar para algo mais ameno, mas com a mesma idéia, fique a vontade.

O ponto aqui não é criar uma pegadinha para você, eu acho que se você tentar pensar na forma mais séria que você puder o que seria uma opção (a) mais adequada para a sua tia do que a opção (b), podemos usar isso.

O que é importante aqui é que a distinção do conceito da opção (a) e (b) seja a de que na opção (a) Deus é um objeto ou fenômeno de caráter físico distinto, localizável e isolável, e que portanto poderia ser discernível por evidência empírica e na opção (b) Deus é uma entidade cujo caráter é mais sublime
Minha tia eu não tenho tanta certeza, ela é bem mais discreta em termos de fé, minha cunhada é que parece acreditar que seres espirituais assombram a humanidade com mais frequência que espíritas acreditam em desencarnados tentando dar um recado.

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ufka Cabecao

O que é importante aqui é que a distinção do conceito da opção (a) e (b) seja a de que na opção (a) Deus é um objeto ou fenômeno de caráter físico distinto, localizável e isolável, e que portanto poderia ser discernível por evidência empírica e na opção (b) Deus é uma entidade cujo caráter é mais sublime


‍Parece que você entendeu errado minha analogia com bactérias, não sugeri que seres sobrenaturais eternos seriam físicos super-mega-gigantescos em relação a nós, estava me referindo ao fato que não nos importamos com o ciclo de vida de trilhões de bactérias no nosso cotidiano, nenhum de nós derrama uma lágrima pela morte delas que ocorrem o tempo todo, e que de forma similar a condição humana não parece ser suficiente para despertar o interesse e a ação de supostos seres eternos universais como Deus.

Disse que mesmo essa analogia seria pálida porque eventualmente somos forçados a nos preocupar com tais seres porque podem representar uma ameaça para nós, algo que jamais seríamos para os tais seres eternos.

Deus ser espiritual, ectoplásmatico ou feito de neutrinos seria irrelevante para o argumento.
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Data da postagem: 26/07/2024, 19:37