
Religião é Veneno
A Decadência do Espiritismo no Brasil - O Espiritismo Está Perdendo o Brasil?
Autor: Volpiceli | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 784 Comentários: 42

JudasAinda assim, gosto de ver que os terreiros ainda resistem aos ataques dos crentelhos.
Daniel estava dando esse chilique e o Acauan disse mais ou menos assim:
"Duro é ter que ver esses ateus aí falando em proteger terreiros como se eles morressem de amores por essas religiões..."
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Data da postagem: 29/07/2026, 09:49

Judas
No início do século* existia um cara chamado Daniel Sottomaior que vivia a reclamar do tratamento desigual dado às "religiões de matriz africana" no Brasil.
Conheci rapidamente o Daniel em uma reunião social, lá pelo anos 2000.
Na época ele tava organizando uma campanha de cartazes em ônibus para defender o ateísmo.
Um desses cartazes exibia fotos do Hitler e do Charles Chaplin com frases respectivas "acreditava em Deus" e "não acreditava em Deus".
Bem, do lado do Hitler qualquer um vira santo, mas fora deste contexto comparativo Chaplin foi um ser humano horrível e péssima escolha como garoto propaganda da causa.
E vá lá saber no que aquele maluco do Hitler acreditava de verdade.
O maníaco era formal e politicamente católico romano, como quase todos os austríacos da época, mas se ele levasse a religião a sério, o padre confessor dele teria que ser um cara muito criativo.
Mas a ironia maior na campanha dos cartazes pró-ateístas nos ônibus é que o Daniel tava cobrando um típo de oferta dos ateus prá financiar a propaganda.
Depois, Sottomaior se envolveu numa defesa militante do vegetarianismo ou veganismo, apresentada como uma ética racional necessária para os ateus.
De minha parte, nunca tive dramas de consciência nos churrascos.
Nós damos vida boa às vacas - alimentação, segurança contra predadores, vacinas, tratamento veterinário etc e depois as comemos.
Na natureza elas seriam comidas da mesma forma, por vezes devoradas aos pedaços ainda vivas, sem receber nenhuma das compensações que entregamos a elas.
Aí temos um paralelo entre a defesa dos "coitadinhos dos ateus", "coitadinhos dos umbandistas" e, deixando claro que em outro nível, "coitadinhas das vacas".
Verdade que recentemente surgiu no Brasil mais uma daquelas aberrações que nos são típicas, como os traficantes de Cristo, que perseguem, ameaçam e expulsam umbandistas das favelas, mas antes desse absurdo e fora casos isolados, este país sempre teve um pé na macumba e a classe média brasileira não tinha a menor dificuldade em assumir seu sincretismo.
E no geral, ninguém ligava a mínima se você era ateu, quando muito te achavam um cara meio esquisito.
Como o ambiente aqui no RéV se tornou muito privativo, não teremos as manifestações de escandalizados com meus comentários, citando um monte de casos para mostrar o quanto os brasileiros são intolerantes (e carnívoros), esquecendo de dividir o número de casos por centenas de milhões de brasileiros e dezenas de anos de ocorrência.
Exceto quanto às vacas. Aí vale mesmo prá todo mundo e todo dia.
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Data da postagem: 29/07/2026, 10:58

Acauan
Verdade que recentemente surgiu no Brasil mais uma daquelas aberrações que nos são típicas, como os traficantes de Cristo, que perseguem, ameaçam e expulsam umbandistas das favelas, mas antes desse absurdo e fora casos isolados, este país sempre teve um pé na macumba e a classe média brasileira não tinha a menor dificuldade em assumir seu sincretismo.
E no geral, ninguém ligava a mínima se você era ateu, quando muito te achavam um cara meio esquisito.
A verdade é que durante muito tempo essas mesmas facções utilizavam dos ritos de matriz africana principalmente ligados a pactos, inclusive um desses criminosos foi mencionado num episódio do Linha Direta. Mostrando a dramatização.
Um dos trabalhos mais conhecidos é o da antropóloga Christina Vital da Cunha, que estudou a transformação da religiosidade em favelas cariocas.
O artigo "Da macumba às campanhas de cura e libertação: a fé dos traficantes de drogas em favelas no Rio de Janeiro" analisa justamente a passagem observada entre os anos 1980 e 2000. Segundo a autora, muitos traficantes que antes recorriam a práticas associadas às religiões de matriz africana passaram, posteriormente, a adotar uma identidade pentecostal ou neopentecostal.
https://periodicos.ufs.br/tomo/article/view/505?utm_source=chatgpt.com
Pesquisadores como Ana Paula Mendes de Miranda, Jacqueline Muniz e Rosiane Rodrigues de Almeida mostram que, desde aproximadamente os anos 2000, ocorreu uma mudança importante em algumas áreas do Rio.
Segundo esses estudos, grupos criminosos passaram a se identificar publicamente com o pentecostalismo e, em alguns territórios, passaram inclusive a perseguir terreiros de religiões afro-brasileiras. Esse fenômeno é estudado sob conceitos como "governança criminal" e, em parte da literatura, "narcopentecostalismo".
Os principais fatores discutidos na literatura são:
1. Mudança do perfil religioso das comunidades
Entre as décadas de 1980 e 2020, houve um crescimento expressivo das igrejas evangélicas nas periferias e favelas brasileiras. Como traficantes normalmente são oriundos dessas comunidades, eles também passaram a refletir essa mudança demográfica.
Nesse sentido, alguns pesquisadores argumentam que o tráfico acompanhou uma transformação que já ocorria na população em geral.
2. Busca por legitimidade moral
Autores como Christina Vital da Cunha observam que algumas lideranças passaram a utilizar símbolos cristãos para construir uma imagem de "protetores da comunidade".
A religião, nesse contexto, também funciona como um elemento de autoridade e de construção de legitimidade perante parte dos moradores.
3. Organização interna
Alguns pesquisadores sugerem que certos valores enfatizados por igrejas pentecostais — como disciplina, abandono do uso de drogas e obediência à autoridade — podem ter sido vistos por algumas lideranças como úteis para a administração do território.
Isso não significa que igrejas promovam o crime; significa que criminosos podem instrumentalizar discursos religiosos para fortalecer sua organização.
4. Disputa simbólica pelo território
Esse é um dos aspectos mais estudados.
Em determinadas comunidades, grupos criminosos passaram a controlar não apenas o comércio ilegal, mas também aspectos da vida cotidiana.
Nessa lógica, controlar quais manifestações religiosas são aceitas pode ser entendido como uma forma de exercer poder sobre o território.
5. Conversões pessoais
Outro fator importante é que alguns traficantes utilizam do discurso de convertidos ao cristianismo, principalmente após experiências de prisão ou perdas familiares.
Os pesquisadores destacam que há casos de conversões sinceras e casos em que a identidade religiosa parece coexistir com a continuidade das atividades criminosas.
As motivações variam de indivíduo para indivíduo.
O conceito de "narcopentecostalismo"
O termo aparece em parte da literatura e da imprensa para descrever situações em que grupos criminosos utilizam símbolos, linguagem ou instituições evangélicas como parte do exercício de poder.
Entretanto, o termo é controverso.
Alguns pesquisadores o utilizam como ferramenta analítica.
Outros o criticam porque pode dar a impressão equivocada de que existe uma relação estrutural entre o pentecostalismo e o crime organizado, quando a imensa maioria das igrejas pentecostais não possui qualquer vínculo com organizações criminosas.
Há consenso?
Não.
Os estudos concordam que houve mudanças religiosas em algumas áreas do Rio, mas divergem quanto às causas principais.
Entre as hipóteses mais recorrentes estão:
- crescimento do número de evangélicos nas comunidades;
- uso estratégico da religião para exercer autoridade;
- mudanças geracionais nas lideranças do tráfico;
- influência das redes sociais e da cultura religiosa local;
- conversões individuais.
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Data da postagem: 29/07/2026, 18:16

Percival
A verdade é que durante muito tempo essas mesmas facções utilizavam dos ritos de matriz africana principalmente ligados a pactos, inclusive um desses criminosos foi mencionado num episódio do Linha Direta. Mostrando a dramatização.
...
O rito tipicamente consumido por aquela clientela em particular era o "Fechar o Corpo", a invocação de uma espécie de escudo místico que tornaria o bandido invulnerável.
Considerando o histórico dos conflitos nos morros do Rio, a eficácia do método é bastante contestada.
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Data da postagem: 29/07/2026, 18:37

Acauan
Percival
A verdade é que durante muito tempo essas mesmas facções utilizavam dos ritos de matriz africana principalmente ligados a pactos, inclusive um desses criminosos foi mencionado num episódio do Linha Direta. Mostrando a dramatização.
...
O rito tipicamente consumido por aquela clientela em particular era o "Fechar o Corpo", a invocação de uma espécie de escudo místico que tornaria o bandido invulnerável.
Considerando o histórico dos conflitos nos morros do Rio, a eficácia do método é bastante contestada.
Duro golpe no Umbandil.
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Data da postagem: 30/07/2026, 05:47

Acauan
Verdade que recentemente surgiu no Brasil mais uma daquelas aberrações que nos são típicas, como os traficantes de Cristo, que perseguem, ameaçam e expulsam umbandistas das favelas, mas antes desse absurdo e fora casos isolados, este país sempre teve um pé na macumba e a classe média brasileira não tinha a menor dificuldade em assumir seu sincretismo.
O Res Cogitans (Leonardo) comentou, no início dos anos 2000, sobre o que dois bandidos lhe disseram:
- "Eu sou bandido, mas, pelo menos, não sou ateu como você"
- "Só Deus pode me julgar"
Acauan
E no geral, ninguém ligava a mínima se você era ateu, quando muito te achavam um cara meio esquisito.
A namorada do Leonardo foi expulsa de casa quando os pais, que eram católicos, descobriram que ele era ateu.
Disseram a ele: "Você pode ser espírita, crente, qualquer coisa, mas ateu a gente não admite!!!"
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Data da postagem: 30/07/2026, 08:54

Fernando_Silva
A namorada do Leonardo foi expulsa de casa quando os pais, que eram católicos, descobriram que ele era ateu.
Disseram a ele: "Você pode ser espírita, crente, qualquer coisa, mas ateu a gente não admite!!!"
Verdade...
Uma história que começou mal, evoluiu para o que indicava um final feliz e terminou de modo trágico...
Mas, como eu disse, "no geral"... Casos extremos sempre os há.
Na minha observação, evangélicos radicais tendiam a ser mais hostis aos Católicos Romanos, a quem consideravam inimigos doutrinários, do que aos ateus, a quem viam como ignorantes do Evangelho e alvos potenciais de conversão.
Claro que falo de ateus normais. Pentelhos militantes é outra coisa.
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Data da postagem: 30/07/2026, 10:01

Acauan
Fernando_Silva
A namorada do Leonardo foi expulsa de casa quando os pais, que eram católicos, descobriram que ele era ateu.
Disseram a ele: "Você pode ser espírita, crente, qualquer coisa, mas ateu a gente não admite!!!"
Verdade...
Uma história que começou mal, evoluiu para o que indicava um final feliz e terminou de modo trágico...
Mas, como eu disse, "no geral"... Casos extremos sempre os há.
Na minha observação, evangélicos radicais tendiam a ser mais hostis aos Católicos Romanos, a quem consideravam inimigos doutrinários, do que aos ateus, a quem viam como ignorantes do Evangelho e alvos potenciais de conversão.
Claro que falo de ateus normais. Pentelhos militantes é outra coisa.
Concordo. Eu mesmo tive alguns prejuízos em termos de capital social por me posicionar de forma mais incisiva como ateu, e reconheço que, naquela época, eu também não tinha maturidade para lidar muito bem com isso. Com o tempo, aprendi a conviver melhor com as diferenças e, sinceramente, hoje nem considero esse posicionamento algo tão importante a ponto de ficar problematizando o tempo todo.
Até porque, na prática, participo de ambientes religiosos boa parte do tempo por livre e espontânea vontade, sem ver nisso uma contradição. Acho que é perfeitamente possível ser ateu e conviver tranquilamente com pessoas religiosas sem transformar a questão da crença numa disputa permanente.
Isso me lembra até um ateu esquerdista militante com quem trabalhei conjuntamente durante minha atuação com arquivo. Ele chegou a querer discutir sobre a existência de Deus com um crente que simplesmente usava o argumento da fé. Na minha visão, ele acabou demonstrando justamente essa falta de maturidade: não havia muito o que discutir racionalmente quando o fundamento apresentado pelo outro era, por definição, a fé.
Então acho que existe mesmo uma diferença entre simplesmente ser ateu e assumir uma postura militante, de confronto constante. No fim, aprendi que conviver com pessoas de crenças diferentes costuma ser muito mais produtivo do que tentar problematizar a crença delas o tempo inteiro.
Acho que a gente só precisa se impor em certos momentos, e para saber quando fazer isso é preciso ter um pouco de sabedoria e maturidade. Dá para conviver de maneira saudável com pessoas que pensam diferente, usando a razão quando ela é pertinente, mas também sabendo reconhecer quando não há muito o que discutir. Nem toda diferença precisa virar um confronto.
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Data da postagem: 30/07/2026, 13:57

E ainda sinto que perco capital social em outras situações, como posicionamento político. É chato isso... O ser humano tende a ser bidimensional ás vezes, não só quando é religioso.
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Data da postagem: 30/07/2026, 14:06

Percival
Então acho que existe mesmo uma diferença entre simplesmente ser ateu e assumir uma postura militante, de confronto constante. No fim, aprendi que conviver com pessoas de crenças diferentes costuma ser muito mais produtivo do que tentar problematizar a crença delas o tempo inteiro.
Uma coisa é contestar a religião em um ambiente de debates como o Religião é Veneno - cujo nome do espaço é um aviso.
Outra é afrontar pessoas religiosas em um ambiente onde esta atitude é descabida.
Nenhum ateu minimamente normal mantém apegos emocionais com o ateísmo, porque obviamente não acreditar em uma tese não dá margem a isso.
Por outro lado, abordagens inapropriadas e gratuítas à religião em ambientes onde isso não é esperado pode magoar profundamente a pessoa religiosa envolvida.
E de novo, gente normal não faz isso.
Um exemplo é reagir com desdém ou agressividade quando alguém lhe direciona sinceramente um "vá com Deus" ou "Deus te abençoe".
Nesses momentos a pessoa em questão está llhe desejando o que para ela é o que existe de melhor e o mínimo que se deve fazer é reconhecer isso.
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Data da postagem: 30/07/2026, 14:48